brotam flores e espinheiros
há uma lua cheia num céu de negrume e pontos de luz
nas casas os casos de todo dia
no caso a casa vazia
a moça insone sentia lembranças
tinha era muita fome
há tempos que só comia as bobagens que escrevia.
de repente! um gato preto com garras afiadas
salta
no meio! bem no meio! do tal palavreado de amor.
a sintaxe que sorria mordiscando o lábio
abriu esganiçada a boca
barulho miados gritos
a fera tomada por ira investiu
garras afiadas sobre os versos
num golpe! na hora!
bem na hora em que
eles cruzavam
sensualmente
uma perna
sobre
a outra
das palavras escorria sangue
e súbito!
a criatura parou.
Espichou o rabo, erguendo-o em curva sobre o corpo à moda dos gatos
e saiu de fininho
com
delicadas
patas
pisando
o
defunto
estraçalhado
no chão.
Aproximou-se manso e senhor de si
fez no colo da moça recanto onde ronronando se aninhou.
Assim, enroscados adormeceram
sob a lua cheia sob o céu de negrume sob pontos de luz.

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