curada de precipícios
perdi medos e vergonhas
não vigio mais minhas palavras
nem a fonte onde nascem
contas, me basta o compasso do que ganho e do que gasto
de resto, quero é deixar a vida ser
me deixar ser
feito quando o homem sério e bonito
chegando de viagem longa em país distante
enormidades de trabalho pela frente
escreveu:
“Acabei de chegar e me deitar.
Estou bem e com saudades do meu bem”
me deixei ser o bem dele e a falta que ele sentia
as palavras me abraçaram e beijaram
por tão pouco dormi amada
abri a porta do sonho
e acordei grávida
mistério que não entendo
nem este nem o que veio depois
mas deixo ser
a vida agora é gerar e parir.
e sem vergonha nem medo
até à beira de precipícios ando bonita
exibindo minha barriga
balançando o quadril
os peitos empinados
fêmea prenhe e no cio
alternando choro e riso
cheia das vontades todas
atiço os homens pelo caminho
mas beijar outro não beijo
não enquanto tiver na boca
o gosto de homem da minha vida que o homem
sério e bonito me deixou.
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